quarta-feira, 25 de junho de 2014

Reconhecimento

Encharcada de chuva. Assim ela estava quando ele a conheceu.

Naquele dia ela havia caminhado na estrada de terra até o pequeno cemitério do vilarejo. Tinha essa mania: conhecer cemitérios e dar um alô aos seus futuros amigos e quem sabe ter alguma inspiração, mensagem a respeito do que se passava na virada da esquina.

O problema é que choveu. Choveu muito. Chuva daquelas que basta um instante para o corpo se refrescar e esfriar. E na chuva e  com frio ela tomou o caminho de volta. Por causa da água que caía do céu suas botas ficaram ocre, combinando com seus cabelos cacheados, agora esticados, por conta do aguaceiro.

Quando alcançou a rua principal tratou de ir direto à birosca do Manel para tomar um pinga com limão e mel a fim de esquentar o corpo e relaxar a mente. 

Sentou-se num canto em L de costas para a parede; posição estratégica para quem gosta de muito ver e pouco ser visto. Da mochila molhada, tirou se caderno de notas e foi aleatoriamente escrevendo frases soltas a partir da observação que fazia das pessoas ao redor. 

As roupas molhadas incomodavam um pouco, poderia ficar gripada... mas e daí? A chuva já tinha passado e alguma hora ela estaria seca novamente. "Dane-se", pensou.

À meia distância tinha um cara, de cara boa, aspecto normal. Ou nem tanto. Mistura de bicho-grilo com intelectual, um toque sensual na simplicidade casual. E o cabelo em desalinho meio escondido debaixo de um surrado chapéu feltrado dava o toque essencial. 

Tímida. E apesar de já ter esquadrinhado o sujeito inteiro evitou o quanto pode, dar bandeira e ser pega. Só olhava de soslaio, discreta, quase fria, imparcial. Pura mentira. Desde o primeiro momento em que o viu sentiu a conexão, aquela coisa transcendental, inexplicável, quase papo de alma-gêmea, outra metade, essas bobagens... 

E na cena da indiferença forjada eis que surge sua aliada. Logo ela, tão temida, tão terrível amiga aranha, que do teto num fio veio pousar justamente no caderno dela. Humpf! Foi então que ar blasé foi pras cucuias e o resto da pinga no chão. E o susto de mulherzinha ... que mancada! Logo ela, tão discreta, tão cool, tão na dela. Pobre moça no desconforto do foco das atenções! 

E da situação inusitada veio o socorro prestimoso do cara que ela tanto olhava. Ele chegou sorrindo e livrou o caderno da aranha, puxou a cadeira sem pedir e sentou-se na frente da moça ao mesmo tempo em que chamava pelo Manel pedindo para catar os cacos do chão e trazer novas doses.

"Não, obrigada, não quero mais bebida", ela disse.

"Que é isso... bebe do meu que eu bebo do seu, assim a gente se conhece melhor. A bebida encurta distâncias, você não sabia? Meu nome é Irã, mas vivo na paz. E seu nome, qual seria?"

"Você pode me nomear, há muito não sei quem sou. Aproveita e me reinventa."

"Paris, pois eu vejo sua luz".

"Pois que seja: sou Paris, me visite e me conheça".

Por algum tempo não houve conversa entre os dois. Mas seus olhos se olharam com tanto interesse e urgência que muita coisa foi dita de forma muito mais clara do que se palavras tivessem sido usadas. A sensação foi a mesma para ambos: reencontro, ainda que breve, necessário e de alguma forma desejado. Quem saberá dizer dos jeitinhos que a vida dá quando precisa colar uma pessoa na outra?

De repente começaram a falar. E era tanto assunto, tanta comunhão de pensamentos, tanta troca de argumentos, ensinamentos, verdades e... poesia. Ah... quanta poesia existiu nos gestos, nas risadas, nos espantos, coincidências, nas tantas diferenças complementares de cada vida. E os dois poetizaram cada segundo compartilhado, mesmo sem saber, sem querer, foi magia natural intrínseca de cada ser.

E tarde acabou e a noite passou, madrugada chegou e Manel fechou a birosca.

Ficaram os dois, Irã e Paris sentados na rua. E debaixo da marquise viveram um amor intenso, cósmico, além do corpo. Almas e olhares que se reconheceram e se devoraram através das palavras e das mãos dadas, dos poemas improvisados e dos silêncios reveladores.  O sono não veio, nem a vontade de ir embora. Acordados, eles acreditavam, que poderiam evitar que o dia nascesse de tal forma que aqueles momentos perdurassem como no filme "O Feitiço do Tempo": um looping temporal eterno, que candidamente aprisionasse os dois naquelas horas de encantamento e cumplicidade. 

Mas o sol se impôs e o dia nasceu. O vilarejo acordou para sua rotina e já não havia mais espaço para encantamentos e sutilezas. Ao perceberem isso, eles se levantaram e se enlaçaram no abraço mais terno e longo de todos os tempos. A verbalização se tornou desnecessária e juntos compreenderam, com lágrimas no olhar que nesta vida nunca mais se veriam e jamais se esqueceriam um do outro: Irã & Paris forever and ever. Adeus.

Nina Victor

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Balanço

Depois de tantos anos de vida, ao sentir a proximidade do fim, ele resolveu fazer um balanço daquilo que havia vivido e da forma como viveu... suas ideias primordiais e os resultados atingidos, juntou aquilo que acertou com as coisas que foram pro ralo. Ponderou coerências e impetuosidades, desejos e desprezos, contas pagas e calotes, ajudas dadas e recebidas. Avaliou o quanto amou e o tanto de amor que recebeu, o tanto que maltratou seu corpo e quanto tranco o corpo aguentou. Lembrou dos livros que leu, das preces que fez, das blasfêmias que proferiu. Pensou nas mulheres que abandonou e no tanto de goró que bebeu por outras. Releu os poemas escritos, reviu postais e cartas. E contabilizando cada suspiro e gargalhada, cada susto e cada lágrima, cada conquista e fracasso e os meios que o levaram até isso... Reavaliando tudo e dando forma à vida ele percebeu que apesar das diversas mancadas, no fundo era um cara bom.  Num sorriso brando tomou seu último fôlego e descansou em paz.

Nina Victor

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Numa Noite Qualquer



Seu olhar ficou perdido olhando na noite as luzes dos aviões chegavam e saíam do Santos Dumont. E esta noite seria apenas mais uma entre tantas passadas na janela, encastelada, do alto, vendo o mundo existir lá embaixo... mas não. Havia um significado novo nesta rotina de alheamento. Pensou que, se pelo menos fumasse ou bebesse, esta seria a hora de acender um cigarro e tomar alguma vodka: a fumaça vedaria a realidade e o álcool amorteceria os sentimentos, ou, quem sabe, traria o sono perdido há tantas noites seguidas... Num suspiro profundo, sua mente silenciou por preciosos segundos. Quanta paz quando as vozes internas se calam! Todavia, o burburinho logo voltou trazendo consigo aquele farsante - o silêncio aparente. Num impulso, ela tirou a roupa, como se estivesse se despindo de si mesma. Na penumbra do quarto, iluminado apenas pelas luzes do Aterro, ela tocou seu corpo e estremeceu em lágrimas de saudades do amor jamais vivido... E assim, como se tivesse alcançado finalmente a complacência dos deuses, ela adormeceu.


Nina Victor

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Do Oriente



Colecionadora. Era assim que ela era conhecida pelos mais íntimos. Isso porque, ainda na pré-adolescência, quando começou a se despertar para o sexo, cismou que iria "provar um de cada". Aos dezessete anos sua lista já era vasta mas por incrível que pareça faltava um oriental. "Se não pintar até os dezoito, vou a São Paulo", ela dizia, entre risos, nas conversas com as amigas. Não precisou. Neste ponto, o aniversário do Julinho foi providencial.

O amigo estava terminando o segundo período do curso de engenharia, portanto, sua festa estaria plena de "alvos em potencial", pensou Gabi, já imaginando o que poderia aprontar. Para sua boa surpresa e brilho nos olhar, foi apresentada a André, um rapaz meio tímido e bem-humorado, dono de estonteantes olhos puxados. "A presa perfeita", intuiu Gabi, que durante a festa, não poupou esforços para criar alguma empatia com o moço de traços orientais. Deu certo. Afinal, poucos resistiam ao seu sorriso farto, bom papo e vívidos olhos verdes.

No dia seguinte - um sábado - Gabi ligou para André e o convidou para ver um filme numa mostra de cinema que estava rolando na cidade.

No cinema, Gabi tentou de todas as formas sutis provocar um contato mais íntimo com o rapaz. Nada. Ou ele não entendia as entradas que ela estava dando, ou simplesmente não estava interessado nela. A inércia de André so fazia aumentar as vontades e as fantasias de Gabi. E ela não desistiria tão facilmente.

Depois do filme, ele a convidou para comer alguma coisa. Gabi aproveitou a deixa e disse que queria sim, porém, gostaria de comer algo preparado por ela. E completou a frase com um ar sapeca: "Sim, estou me convidando para ir ao seu apartamento!". E logo em seguida, deu um sorriso e um beijinho no rosto de André que, encabulado e desconcertado, aderiu à idéia.

André morava sozinho, num pequeno apartamento de quarto e sala, tudo muito simples, de acordo com sua situação de "estudante universitário morando longe da família e vivendo de mesada", como ele mesmo falou. Gabi não se deu tempo para reparar no apartamento, apenas localizou o sofá. Assim que André fechou a porta, ela o pegou pela mão, o "jogou" no sofá e no mesmo movimento deixou-se cair por cima dele, de imediato colando sua boca na do rapaz. As reações corporais foram imediatamente sentidas por ela. "Ponto pra mim", pensou Gabi.


Nina Victor


domingo, 31 de agosto de 2008

O Casal



Dentre os meus conhecidos eles formavam o casal mais equilibrado e confiante. Os dois eram lindos, tanto ele quanto ela. Ambos morenos de cabelos lisos, altos e com corpos torneados: o dela pela dança e o dele pelo volleyball. Um show de casal.

O casamento deles foi cinematográfico, a festa aconteceu num jardim colonial numa noite abençoada com direito a céu estrelado e brisa refrescante. Música ao vivo, comida farta e bebidas de qualidade. Convidados satisfeitos, pombinhos realizados e para culminar lua de mel na Europa - vinte dias de sonho e sexo.

No retorno, reuniram os amigos para mostrar as fotografias da viagem, contar as novidades e apresentar a nova residência: um espaçoso apartamento com varandão e vista para o Corcovado. A felicidade, definitivamente, fez morada ali. Era o que todos pensávamos.

Quatro meses depois, a notícia: ela estava grávida. Mais felizes ainda ficaram quando souberam tratar-se de um menino. De pronto começaram a arrumar o quarto do herdeiro, que foi decorado com extremo bom-gosto, alías, como tudo que dizia respeito àqueles dois.

No sexto mês de gravidez, ela me confidenciou que ele estava distante, sexualmente falando. O tratamento era atencioso, mas em nenhum momento lascivo ou desejoso. O excesso de respeito estava se tornando um problema para ela. Afinal, porque ele estava tão frio?

Depois do nascimento do bebê, as coisas seguiram o curso da mudança. O marido, antes quente, depois atencioso, agora se mostrava irritado e impaciente. Indelicado, eu poderia dizer, depois que presenciei algumas vezes, ele reclamar, na frente de todos que ela havia se tornado uma "baiaca", que estava gorda e que deveria fazer algo para voltar a ter o corpaço de antes. "Porque daquele jeito, não dá", dizia ele, entre risos sarcásticos e olhar de desprezo. Ela, sorria sem graça e abaixava o olhar. Nós, os amigos presentes, tratávamos de mudar de assunto.

Ele passou a sair sozinho. Seu argumento: "Se você quer se aprisionar por causa de filho, eu não quero, se você não vem comigo, vou só". Aos pouco, se transformou: colocou um piercing na orelha, fez uma tatuagem, deixou um cavanhaque crescer. Trocou o volley pela musculação. Comprou um carro mais esportivo. De "mauricinho" a "bad boy".

Meses se passaram e ela reagiu: recuperou o corpo e a autoestima. Reconquistar o desejo do marido seria questão fácil de ser resolvida. E para sacramentar o momento, comprou lingerie nova, pediu a sogra que tomasse conta do neto (coisa que não gostava de fazer), reservou uma suíte especial num motel recém-inaugurado e, fazendo algum mistério, disse ao marido que precisavam ter uma "conversa séria" e, para isso gostaria que saíssem para jantar. Para surpresa dela, ele concordou animado e disse que já estava mesmo na hora deles se entenderem.

À noite, dando a desculpa qualquer, conseguiu que ele a deixasse dirigir. Foram conversando amenidades e quando ele percebeu, já estavam na entrada do motel. Espantado, ele quis entender: "não estavam saindo para jantar?" . Sorrindo ela disse que sim, soube que a cozinha dali era de primeira, sem contar, que teriam mais privacidade. Ele sorriu de lado e balançou a cabeça.

Nunca soubemos o que se passou naquela noite. Mas no dia seguinte, ela não acordou. Barbitúricos, dizem alguns. Coração - acreditam outros.

Alguns meses depois, enquanto caminhava na Lagoa, num domingo de manhã, eu o encontrei passeando com o filho e um outro homem numa daquelas bicicletas-carrinho. Mas ele, nitidamente, fingiu que não me viu...

Nina Victor



sábado, 30 de agosto de 2008

A Resposta



Se conheceram num chat qualquer. Trocaram as perguntas de praxe e logo engataram num papo cabeça. Ambos ficaram fascinados. Afinal, não era comum encontrar pessoas com algum conteúdo naquela situação. Falavam sobre tudo: política - ambos de direita, viagens, meditação, aplicações finaceiras. Ela, formada em administração, era gerente de um banco. Ele, engenheiro, responsável pela logística de transportes de uma multinacional. Ela, ainda se recuperando de um relacionamento mal-sucedido. Ele, recém-separado e de apartamento novo, morava com o filho de nove anos.

Da internet para as conversas ao telefone foi um pulo. Passavam horas, quase enamorados, desfiando histórias de vida, confiando segredos. A relativa impessoalidade (afinal, não se conheciam ao vivo) era o combustível do desejo de estar junto (entre aspas) ligados apenas pela voz, nas intermináveis noites de sussuradas palavras.

É bom frisar que não se conheciam nem de fotografia. Cada um tinha apenas a imagem criada pela descrição que outro fizera de si mesmo. O interessante é que detalhes, não perguntavam. Eles se contentavam com o básico, nem medidas nem volumes eram diligenciados ou objeto de curiosidade. Mas estranhamente, havia desejo entre eles.

Um dia - ele - afoito como não lhe era peculiar, perguntou a ela qual sua preferência sexual. Foi assim mesmo, na lata. Ela ficou desconcertada, riu nervosamente e desconversou. Ele insistiu: "na boa, é só curiosidade". Ela calou-se. Ele mudou de assunto. E ficaram por isso mesmo.

Até que um dia, ele a convidou para ir a inauguração de um restaurante de um amigo. Seria a primeira vez que se encontrariam... Ele argumentou, antecipadamente, que seria seguro, afinal não estariam sozinhos. Ela pensou brevemente e logo aceitou o convite. Já havia lido nos jornais sobre o tal restaurante, o lance seria badalado e por certo não haveria perigo.

No dia marcado, ele a convenceu de deixar o carro na garagem dele e seguirem juntos, no carro dele, para o evento. Ponderou a praticidade e a segurança da oferta e mais uma vez aceitou.

Conforme combinado, ele já estava na portaria do prédio quando ela chegou. A princípio, estranhou - "imaginava que ele fosse amis alto" - mas abriu o vidro do carro e se mostrou, com um sorriso, se apresentou.

Na garagem, ao sair do carro, uma de suas longas unhas quebrou. O palavrão saiu baixo, mas ela sabia que ele ouvira. Constrangida e atrapalhada, desculpou-se. Ele sorriu para ela e rindo da situação, fez com que ela se sentisse bem-vinda com um abraço amistoso. Ato contínuo, ele disse: "vamos lá em casa e você acerta essa unha". A vaidade falou mais alto que a prudência: convite aceito imediatamente.

O apartamento era muito bem decorado, sofisticado nos detalhes, aconchegante. Ela perguntou pelo filho, ele respondeu que estava com a avó, pediu licença e logo voltou com uma garrafa de vinho e duas taças. Na cabeça dela o pensamento - "mas é tão baixinho..." - um exagero, ele até era mais alto que ela mesmo usando salto...

Beberam, papearam, se analisaram. Ela, fraca para beber. Ele, firme das idéias. Estava tudo tão bom que sem sentir, desistiram do restaurante e foram ficando por lá.

Pelas tantas ela disse: "ainda quer saber do que gosto?", ele, atordoado respondeu: "hein?"; ela disse com um olhar oblíquo: "vem aqui"... Ele aos poucos, se aproximou. Delicadamente, ela se desvencilhou do cinto, do botão e do ziper e assim, despudoradamente, saciou-lhe a curiosidade, sem dizer uma palavra - não se fala de boca cheia, sua mãe havia ensinado.

Nina Victor



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O Encontro

imagem: selime
Naquele dia, ela usou compressas de chá de camomila nos olhos para que parecessem descansados e iluminados, aptos a refletir a verdade daqueles azuis insondáveis. Foi cuidadosa em cada detalhe: a discreta correntinha no tornozelo, o perfume nos pontos exatos, os cabelos arrumados numa displicência sensual, as unhas tratadas e impecáveis, a pele hidratada, as roupas em cores sóbrias com um toque de branco para destacar o semblante receptivo. Ela se olhou no espelho e gostou do que viu.

Achou melhor deixar o carro na garagem para não sucumbir a tentações imediatas. Um taxi seria mais seguro por ser menos prático. Ainda que seu desejo fosse o de arrebatar os sentidos daquele que estaria à sua espera, não queria resultados carnais de pronto. O alimento cozinhado em fogo brando, sempre rendia um melhor sabor.

Durante o trajeto, a insegurança que lhe era peculiar fez-se presente. Mãos suadas e o friozinho no estômago típico dos primeiros encontros. Será que ele se encantaria com ela?

Resolveu descer do táxi um pouco antes do local combinado. Pensou que se chegasse a pé, poderia observar ao longe seu alvo, que, certamente, estaria esperando que ela chegasse em algum carro. Com isso, achou que daria um ar de casualidade ao momento.

Quando se aproximou, ele estava olhando para o lado oposto, na verdade, já ele havia passado o olhar por ela, mas não a tinha reconhecido. Ela disse: "Oi". Ele se virou e seus azuis se revelaram. Bastou este instante. E ela soube: tudo estava bem.


Nina Victor